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8 de out. de 2009


Elogio da Sombra
é uma das principais obras de Tanizaki (1886-1965) e um dos mais fascinantes ensaios sobre as diferenças entre o Ocidente e o Oriente. Para os ocidentais, o mais importante aliado da beleza foi sempre a luz, a ausência de sombras. Para a estética tradicional japonesa, do rosto das mulheres às salas dos templos, o essencial está na sombra e nos seus efeitos. Neste ensaio de 1933, Tanizaki fala-nos da cor das lacas, dos actores de nô, das paredes dos corredores, dos beirais das casas, da luz que há na sombra, para nos prevenir contra tudo o que brilha. Revela-nos o que sentia ao olhar o papel dos shôji, a visão de um universo ambíguo onde luz e sombra se confundem numa impressão de eternidade.

Ver também Borges:
Elogio da sombra


Galeria Air de Paris, "quadro" de Philippe Parreno
(expo LA SUITE, até 19/12/2009)

24 de set. de 2009



No final de uma conferência numa universidade americana, em 1963, onde Marcel Duchamp apresentava os seus trabalhos, alguem perguntou se o "sem sentido" que tinha utilisado nos suas obras era um verdadeiro "sem sentido". Depois de um momento de desespero, diz finalmente: « Sentido e sem sentido são dois aspectos da mesma coisa e o sem sentido tem direito de viver… »

Prefácio de Paul Matisse in Marcel Duchamp, Notas, Flammarion, Paris, 1999

23 de set. de 2009



Nuno Ramos, numa entrevista com Noemi Jaffe,
caderno Mais! da Folha de São Paulo, domingo 20 de setembro de 2009, p. 5 :

« Na verdade, ao invês de buscar o que em nós é contemporâneo, talvez fosse mais rico procurar o que em nós é extemporâneo, deslocado no seu tempo, mas sem qualquer arcaísmo…
Esse escorregão no tempo parece uma reação inteligente à ambivalência central de nossa presenca no mundo — o estar "condenado ao moderno" simultâneo à impossibilidade radical de sê-lo completamente.
»

22 de set. de 2009

Nuno Ramos, na entrevista com Noemi Jaffe,
caderno Mais! da Folha de São Paulo, domingo 20 de setembro de 2009, p. 4 :

« … acho que a ambivalência é a palavra-chave. »


ler o artigo por extenso…

19 de set. de 2009

« Mais le rapport du langage à la peinture est un rapport infini. Non pas que la parole soit imparfaite, et en face du visible dans un déficit qu'elle s'efforcerait en vain de rattraper. Ils sont irréductibles l'un à l'autre : on a beau dire ce qu'on voit, ce qu'on voit ne loge jamais dans ce qu'on dit, et on a beau faire voir, par des images, des métaphores, des comparaisons, ce qu'on est en train de dire, le lieu où elles resplendissent n'est pas celui que déploient les yeux, mais celui que définissent les sucessions de la syntaxe. »

Michel Foucault, Les mots et les choses, Gallimard, Paris, 1966